Wilton Carvalho é advogado, pós-graduado em Direito Empresarial, Comercial e Tributário e pós-graduando em Direito Constitucional Eleitoral

Sobre vivos e mortos

Em breve síntese, solidariedade é o compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas às outras, e cada uma delas a todas, de forma a uma convivência pacifica e harmoniosa. É a vontade de ajudar e se identificar com o sofrimento ou as necessidades dos outros.
Durante a pandemia, em seu auge no ano de 2021, vivemos em função de uma visão nitidamente solidária, já que fomos obrigados, enquanto sociedade organizada, a ceder parte de nossa existência em função da preservação de uma minoria extremamente vulnerável, como os doentes crônicos, os idosos e os demais portadores de doenças crônicas e deficiências física e motoras.
Quando todos pudemos ser imunizados pelas vacinas contra a disseminação do vírus da covid-19; a doença já havia levado à morte no Brasil mais de 700 mil pessoas; a grande maioria antes da primeira dose de imunização.
Lembrando desses tempos de caos e dor, vêm a lembrança as farras que o presidente da época teve coragem de materializar, com a maioria esmagadora da população brasileira em casa, confinada e com medo. Literalmente, dando voltas a cavalo na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Diuturnamente, fazia discursos contra a vacinação, insuflando à população a consumir medicamentos que não possuíam qualquer resultado prático reconhecido cientificamente, afirmando na televisão que “não era coveiro”. Por diversas vezes, falou que aqueles que fossem imunizados, se “transformariam jacaré”.
O discurso de Jair Bolsonaro é balizado pelos ditames da extrema-direita mundial, visto que se baseia no medo e da efetivação do caos reiterado, deixando a sociedade acuada e de joelhos para os arroubos ditatoriais do ditador de plantão.
Apesar de todo o caos plantado pelo ex-presidente e agora presidiário, para o bem da nação tínhamos um adulto na sala que fora: o governador de São Paulo, João Dória, a quem a população do Brasil tem uma dívida de gratidão. O presidente fazia anarquia, enquanto o governador tentava curar a alienação da população. Entre outras medidas, incentivou o Instituto Butantan a produzir nossa própria vacina, a Coronavac, que ficou pronta em tempo recorde o que fez com que muitos brasileiros pudessem ter sua vida salva, preservando o principal bem de um pais: seu povo.
João Doria deixou a política, praticamente caiu no esquecimento, aspecto um tanto quanto incoerente com o quão bem pode fazer aos brasileiros, levando a pandemia a sério.
Inevitável, é que num futuro não distante, as páginas da história vão dispor cada um no seu devido lugar, com João Dória e Jair Bolsonaro ocupando cores díspares, tonalidades opostas e cada um levando seu mérito, ou crime, para a eternidade.

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