“Ao vencedor, as batatas”, frase famosa cunhada e explorada por Machado de Assis em seu livro Quincas Borba, diz muito sobre a nossa modernidade, onde as disputas pelas relações de superioridade chegam à limites absurdos e muito longe do bom senso.
A pouco tempo, demonstrar postura preconceituosa, misógina e rancorosa era absolutamente execrado, mas hoje em dia essas falas cheias de aspectos negativos foram sendo banalizados através de um método insistente e reiterado, principalmente nas redes sociais, onde fatos chocantes chamam atenção e geram curtidas.
Dessa maneira, se mostrar vivo, inteiro e com a mente aberta para a evolução natural está cada dia mais difícil, exigindo determinação e domínio dos nervos; visto que os achaques são gestados nos extremos de sua interpretação.
As redes sociais são infestadas de ações, posturas, fatos absurdos e sem credibilidade. Porém, a forma de administrar isso é uma questão surreal, que coloca o indivíduo emparedado com poucas chances de sucesso.
Como exemplo desse método de destruição da reputação humana, podemos apontar os reiterados posicionamentos do presidente estadunidense, Donald Trump, pois a cada dia ele e seus comandados produzem falas chocantes e tenebrosas.
Trump ameaça a todos, ou com a imposição de tarifas sobre as importações, ou com intervenções e ataques militares, falando, reiteradamente, em bombardear outros países ou os anexar, como faz com a Groenlândia e a Venezuela. Com o Irã, mais especificamente, a fala de Trump envolve sempre medo e coação, aliás, ele é mais semelhante a um gangster do que a um chefe de estado, desrespeitoso, grosseiro, vergonhoso e execrável.
Realmente, parece que a sociedade estadunidense, e que justamente possuía enorme orgulho de suas instituições, agora não está conseguindo lidar de maneira sã com o comportamento bélico de seu mandatário. Percebendo isso, obviamente, Trump aumenta e dobra a aposta, desrespeitando a todos e a tudo que poderia ser um freio à sua sandice hilariante.
Essa é uma breve leitura do aspecto em que nosso mundo se encontra, por isso, muitas vezes, ponho a pensar qual será o futuro dos mais jovens, àqueles que estão começando o seu caminhar.
Inevitavelmente, me recordo de outra frase do brilhante e ainda contemporâneo Machado de Assis, citada em seus folhetins diários, que se tornariam em 1881 a obra/coletânea Memórias Póstumas de Brás Cubas: “Não tive filhos. Não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”.

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