Os gaúchos uniram a tradição da bebida brasileira à expertise alemã na produção de destilados
Cachaça boa é de Salinas, certo? Ou você prefere uma especialíssima da região de Areia? Ora, em qualquer cidadezinha de Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco e mesmo São Paulo encontra-se uma boa cachaça de alambique. O que pouca gente sabe, porém, é da excelência das cachaças do Rio Grande do Sul. O estado está frequentemente presente no topo do ranking da Cúpula da Cachaça e brilha na maioria dos concursos nacionais e internacionais.
Os gaúchos uniram a tradição da bebida brasileira à expertise alemã na produção de destilados. Como o steinhäger (um tipo de gin à base de zimbro), o jägermeister (complexo de licor de ervas com 35% de graduação alcoólica) e o tradicional underberg, digestivo amargo de alta graduação. Além deles, há outros menos conhecidos do grande público, como o kräuterlikör, o doppelkorn e o kirschwasser.
O rigor técnico alemão, somado à experiência secular no uso da cana-de-açúcar, resultou em cachaças especialíssimas, como a Cenário, de Santa Tereza; a inigualável 7 Madeiras, da premiada Weber Haus, de Ivoti; e a Harmonie Schnaps, da cidade de Harmonia. Há ainda produções artesanais como a Schneide, a Hartmann, a Stoermer e a Berwanger, produzida desde o século 19 no Vale do Taquari, em Estrela.
O alambique da família Berwanger preserva técnica construtiva germânica tradicional: base de pedras, estrutura de madeira com vigas verticais, horizontais e diagonais, e fechamento em tijolos de barro. A construção centenária permanece de pé, aberta à visitação, permitindo conhecer um capítulo da imigração alemã no Brasil — e degustar uma das mais expressivas cachaças gaúchas.
