Com produção anual de 292 milhões de litros, cerca de 9 milhões de litros chegam às mesas dos estrangeiros
O governo brasileiro já realizou – e realiza – ações importantes de divulgação da cachaça – bebida legitimamente brasileira – no exterior, apresentando nossos produtos em feiras internacionais na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos. Mas é pouco. O Ministério do Turismo deveria promover mais a cachaça como um produto nacional, e fazer com que ela tenha a mesma referência ao país que tem hoje futebol, samba, sandálias havaianas e bunda.
A presença da cachaça no exterior representa não mais que 3% da produção, e isso é fruto de esforço de produtores, que se viram como podem para apresentar seus produtos em mercados internacionais.
Mesmo assim, a cachaça é uma embaixadora informal do Brasil em alguns países.
Tudo é marketing. Algumas marcas focam sua produção e suas ações para o exterior, casos da Leblon e da Sagatiba, duas das mais conhecidas na Europa, inclusive com vendas nos free shoppings de saída nos principais aeroportos brasileiros, além de outras pouco consumidas no Brasil: Abelha, Yaguara, Capucana. E, claro, as de grande volume, referências em qualquer lugar do mundo: 51 e Pitu.
Com pouca divulgação, poucas ações, pouca propaganda (exceção feita pelo filme Agente Secreto, que colocou em cena a Pitu num bar em Recife), ainda assim a cachaça brasileira (toda cachaça é brasileira) está em 70 países. Quem mais bebe a caninha são os paraguaios (20% de toda a exportação), seguidos por alemães, franceses, estadunidenses e portugueses. Chile, Uruguai, Itália e Espanha também costumam saborear a bebida brasileira. Mas num volume nada comparável com as bebidas universais, como o uísque, o rum, a vodca e mesmo os regionais de grande volume, como o Baijiu na China, o Soju na Coreia do Sul e a Tequila no México.
Com produção anual de 292 milhões de litros, apenas oito a nove milhões de litros chegam às mesas dos estrangeiros e, mesmo assim, para a elaboração de coquetéis, dois deles referência, esses, sim, da coquetelaria brasileira: o rabo-de-galo e a caipirinha.
Mas aquela talagada na caninha envelhecida, tomada direto do tonel no alambique artesanal, esses gringos não têm nem ideia do que estão perdendo.

