Maio chega e, com ele, o dia em que escolhemos homenagear quem nos colocou no mundo. Em nossas cidades, a figura da mãe ainda é o centro de tudo — é ela quem acorda primeiro, quem adoece por último, quem carrega nas costas a família inteira sem nunca pedir que a vissem. Nesta coluna, quero homenagear especialmente uma mãe que muita gente prefere não enxergar: aquela que, entre um almoço preparado e um filho embalado, também aprendeu a esconder hematomas.
A Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) completou quase duas décadas protegendo mulheres, e boa parte delas são mães. Nossa região, por ser formada por cidades menores, carrega o peso do “todo mundo se conhece” — e para muita vítima isso vira motivo de silêncio. Mas silêncio não é amor, e aguentar não é cuidar dos filhos: criança que cresce vendo a mãe apanhar carrega marcas que nenhum Dia das Mães apaga.
Se você, leitora, vive essa realidade — ou conhece alguém que vive —, saiba que a rede de proteção existe e funciona mesmo nas cidades pequenas. O Disque 180 atende 24 horas, é gratuito e sigiloso. A Delegacia da Mulher e, na falta dela, qualquer delegacia comum registra a ocorrência e pode, na mesma hora, representar pela medida protetiva de urgência, que em até 48 horas afasta o agressor do lar, proíbe aproximação e contato. A mulher não precisa de advogado para pedir, não paga nada e não precisa provar renda. O Cras e o Creas do município oferecem acolhimento psicológico e social, e o Conselho Tutelar protege os filhos quando há crianças envolvidas. A Defensoria Pública cuida do divórcio, da guarda e da pensão sem custo para quem não pode pagar.
Denunciar não é destruir a família — é protegê-la. O filho que cresce vendo a mãe em segurança aprende, desde cedo, que mulher se respeita. E esse talvez seja o maior presente de Dia das Mães: ensinar, pelo exemplo, que amor e medo nunca caminham juntos.
A todas as mães da nossa região: obrigado por resistirem. Vocês não estão sozinhas.
