Equipe do Paulista, em dia de homenagem, nos anos 1970. ( Baú da Folha Caipira)

Bolo de fubá – Município, que nasceu de dois povoados, se entende a partir dos gramados

Há quase meio século nascia o município de Catiguá, instalado por uma Lei Federal de 1960. Hoje, muitos moradores sabem que a localidade se fez da união entre os distritos de Catupiry (hoje São Sebastião) e Ibarra (Santa Izabel). Mas, poucos sabem o quanto isso era inimaginável na época da emancipação, quando os dois pequenos povoados viviam em pé de guerra. Celebrando 66 anos em 3 de maio a Folha Caipira recorda fatos interessantes de sua história, que já foi até citada como “esquisitíssima”, em ocasião da visita de um governador do estado.
Povoados por imigrantes estrangeiros, Catupiry e Ibarra não tinham quase nada em comum. Do lado de Catupiry predominavam moradores vindos da Espanha e do Líbano, enquanto no lado de Ibarra a era de imigrantes italianos. Os dois lados recebiam, por incrível que pareça, alguns cidadãos de origem chinesa – a reportagem encontrou túmulos do início do século passado, no cemitério São Sebastião, com inscrições em Mandarim), turca e portuguesa. Com essa salada de povos diferentes, e em um mundo ainda nada globalizado, imagina como deveriam ser as relações sociais.
Pois bem. Como descreveu o filho ilustre da localidade, o advogado, professor e empresário Hélio Chaves da Silveira, na época com 93 anos (*1926 +2022), até as partidas de futebol foram proibidas entre as equipes das duas localidades. Os times de Santa Isabel e São Sebastião ficaram muitos anos sem se combaterem nos gramados.
Hélio, conhecido por Lili na infância, contou relato notável que fez o então governador Laudo Natel, em 1971, sobre a visita ao município recém-emancipado: “Que cidade esquisita essa que, por pequena que seja, tem dois campos de futebol, duas praças principais, dois padroeiros, dois times de futebol, tudo tem de dois”.
E a rivalidade foi assim por muito tempo, inclusive com brigas de jovens que tinham namoradas na localidade oposta e até na política, quando cada lado tinha seu candidato a prefeito. Para se ter ideia, uma nova sede da prefeitura foi construída na esquina da praça Santa Isabel pelo prefeito Nito Serafim (representante desse lado da cidade). Mas o prefeito que assumiu em seguida, Tiãozinho, resolveu vender o prédio e construir a prefeitura no seu lado, São Sebastião. Até hoje tem morador que diz que só vota no candidato de seu lado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *