Cascão, ao lado do “possante” da Viação Cometa que dirigia. Fotos: Reprodução

Moinhos de vento – Motorista da Viação Cometa por trinta anos, Áureo Cascão conta um pouco de suas aventuras

Quando chegou a Pindorama no início dos anos 1980, trazendo na bagagem a mulher, os filhos e os pais, Cascão nem imaginava ainda teria uma longa jornada até o dia em que nos encontramos, no quintal de sua casa, para contar um titico de quando percorria o caminho até a capital num possante ônibus da lendária Viação Cometa. Assim, conhecemos um pouco de sua jornada.
Áureo Cascão, 78 anos, era um dos poucos motoristas da Cometa a ainda estar vivo e sóbrio para contar algumas de suas aventuras. Bom ressaltar que Cascão não é apelido. Os pais, vindos da região da Salamanca, na Espanha, lhe presentearam com o sobrenome “Cascon”, mas a sua dicção não foi bem assimilada pelo oficial de cartório, que acabou trocando os pares. Acontece que os Cascão são hoje uma família tradicional de Pindorama, com quatro filhos, seis netos e um bisneto.
“Conheci muita gente da nossa região que fazia a linha Rio Preto a São Paulo com frequência, e isso nos proporcionou amizade duradoura”, conta Cascão. Entre os famosos que pegaram seu ônibus, Ana Maria Braga, Faustão e Benito de Paula.
João do Pulo
Hoje, a nova geração talvez nem tenha ouvido falar das proezas de João do Paulo. Atleta, político e militar brasileiro, especializado em saltos, ex-recordista mundial do salto-triplo e medalhista olímpico.
Estávamos em 22 de dezembro de 1981, quando João do Pulo retornava da formatura de uma turma de educação física em Campinas. Seu carro colidiu com outro veículo. Cascão passava pelo local e parou. “Via luzes de carros em alta velocidade cortando o acidente, achei que poderia ser atropelado, mas fui em frente no meio das ferragens”, conta Cascão. Cascão socorreu João do Pulo e seus acompanhantes, foi um dos heróis do salvamento do atleta.
De olhos marejados, entre outras memórias, o velho Cascão relembra mais um dia triste, em que pode ajudar no socorro de um ônibus que caíra no Ribeirão dos Porcos. “Foi um dia muito triste”, diz. Mas também pode contar de quando conheceu o Rei Pelé em uma de suas viagens. “Ficamos amigos, e sempre que vinha pegar linguiça queima-rosca em Ariranha, me ligava”, recorda.
Mas emoção mesmo, diz sentir quando conta de seu casamento com dona Neusa, que completou em julho do ano passado 55 anos. “Ela sempre esteve comigo enquanto percorria a estrada da vida, me esperando”, conta. No início do ano, Cascão seguiu viagem.

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