Há datas que incomodam algumas pessoas. Dia da Mulher, Dia da Consciência Negra, Dia do Orgulho LGBT. Sempre aparece alguém para perguntar: “Mas por que precisa existir um dia para isso?” A resposta é simples: porque ainda existe um problema que precisa ser lembrado e combatido.
Essas datas não foram criadas para dar privilégio a ninguém. Não significam que uma mulher vale mais do que um homem, que uma pessoa negra vale mais do que uma branca ou que uma pessoa LGBT merece mais direitos do que as outras. Significam justamente o contrário: que todos deveriam ter o mesmo direito de viver com respeito, dignidade e segurança.
O Dia da Mulher existe porque mulheres ainda são agredidas e mortas simplesmente por serem mulheres. Muitas vezes, dentro da própria casa.
O Dia da Consciência Negra existe porque a escravidão acabou há muito tempo, mas o preconceito racial não desapareceu com uma assinatura no papel. Ainda existe discriminação, humilhação e violência por causa da cor da pele.
E o Dia do Orgulho LGBT existe porque ainda há pessoas que são ofendidas, expulsas de casa, discriminadas e até agredidas simplesmente por sua orientação sexual ou identidade.
Você não precisa ser mulher, negro ou LGBT para compreender isso. Basta ter empatia. Basta imaginar um filho, uma filha, um irmão ou alguém que você ama sendo humilhado ou agredido por uma característica que não o torna melhor nem pior do que ninguém.
Quando a sociedade escolhe uma data para lembrar determinado grupo, não está dizendo que aquele grupo é superior. Está dizendo que existe uma violência ou uma injustiça que ainda precisa ser enfrentada. Talvez chegue o dia em que essas datas sejam apenas comemorações. Seria ótimo.
Mas, enquanto uma mulher tiver medo dentro da própria casa, enquanto alguém for julgado pela cor da pele ou enquanto uma pessoa LGBT precisar temer uma agressão simplesmente por ser quem é, essas datas continuarão necessárias.
Não são dias de privilégio. São dias de conscientização. Porque igualdade não é dar mais direitos a alguém. É garantir que ninguém tenha menos.

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By Gustavo Fernandes

Advogado, atuante na comarca de Tabapuã

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