Moinhos de vento – Irmão do artista enviou material biográfico ao Centro Cultural em 2008
Chegou de surpresa o malote dos Correios com exatos 2.877 quilogramas, entregue numa manhã fria de 2008 na recepção do Centro Cultural Flávio Rangel. O secretário de Cultura na época, Wagner Ferrari, ficou com os olhos famintos ao notar que a entrega era nada mais, nada menos, que um precioso e inestimado arquivo secreto da vida do produtor teatral, jornalista e artista patrono da instituição. Wagner contou ter notado um vento forte bater nas janelas.
O remetente é do irmão de Flávio, Mário Rangel, também nascido em Tabapuã, e que guardou por décadas a preciosa coletânea de notícias, artigos, fotos e relatos do irmão. São matérias de jornais como o Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo, e de outros mais humildes como o extinto O Tabapuanense. Recorte da revista Manchete, IstoÉSenhor e até de periódicos internacionais como o La Nacion.
O recorte com a notícia da morte de Flávio Rangel, relatada por Paulo Francis, direto de Nova York, é um dos “pedaços” impagáveis da coletânea. “Soube terça-feira da morte de Flávio Rangel, citado por Zuenir e dizendo as coisas sensatas e inteligentes de sempre, em política, porque era o melhor companheiro de cadeia que se pode desejar. Partilhamos muitos sonhos, momentos agradáveis e difíceis, Flávio e eu, numa amizade que entre 1956 e 1962 era íntima e constante”, diz trecho do jornalista na coluna Diário da Corte, que era publicada todos os domingos no caderno Folha Ilustrada, da Folha de S.Paulo.
O irmão
Mário Nogueira Rangel, que coletou e guardou material biográfico do irmão, nasceu em 1932 em Tabapuã, sendo o terceiro de quatro irmãos. Ingressou na USP e estudou Direito até o quarto ano. Trabalhou dos 14 aos 64 anos de idade, quando se aposentou. Durante os últimos 35 anos de trabalho fez carreira em na Enciclopédia Britânica, até ser diretor comercial em 14 países das Américas, que visitava uma ou mais vezes por ano. Além de suas viagens profissionais visitou países em férias, totalizando mais de 70. Numa dessas viagens, um acontecimento o transformou num dos maiores ufólogos do Brasil, mas isso fica para outra oportunidade. Mário Rangel morreu em julho do ano passado, aos 91 anos de idade, em São Paulo.
“Estou velho e doente. Por que vou guardar isso comigo? Tenho quatro filhas e nenhuma se compromete a ser guardiã do material. Em Tabapuã, no Centro Cultural, isso vai ser útil para muitos e por muito tempo. Para mim, apenas pode me servir enquanto vivo”, afirmou Mário, em conversa exclusiva com a Folha Caipira, concedida em maio de 2008.

