Estrada da vida – Arlindo Voltan tinha na charrete o seu principal veículo de transporte
A charrete ainda é o veículo de transporte preferido de muitos caipiras e têm seu lugar reservado em suas garagens, ao lado dos possantes motorizados. Seja no trabalho ou no lazer, mantém o elo com o modo de vida antigo dos moradores do interior, como seu Arlindo Voltan, administrador de fazenda de Catiguá que usava seu carro durante a semana para o trabalho e ela nos finais de semana, quando adentrava no túnel do tempo em seu veículo movido a quatro patas.
Seu Arlindo, que tinha 64 anos cravados na época da reportagem, contou em fevereiro de 2015 que desde o berço andava no veículo. Também possuía uma carroça, mais pesada e rústica, que utilizava para os serviços da fazenda. Charrete, carroça e seu automóvel Chevrolet Monza ficavam lado a lado na sua garagem, mas era nas puxadas pelo cavalo Canário, 13 anos, onde estava realmente seu coração.
“Tenho um bom automóvel, mas meu gosto mesmo é sair de charrete ou trabalhando com a carroça. Nos domingos, lá pelas seis da matinas o telefone toca e são meus netinhos perguntando se já estou indo buscá-los”, afirma seu Arlindo, que levava os netos para passear, pescar ou, simplesmente, andar pelas veredas da fazenda em Catiguá.
Movidas por tração animal, charretes e carroças tiveram grande importância no desbravamento das terras do grande sertão. Foram implementos para a chegada de provisões depois de abertos os caminhos pelos bandeirantes. A charrete sempre foi utilizada pelas famílias para o encontro social, para frequentar a igreja, as reuniões festivas e ir até a cidade. Já a carroça, mais pesada e resistente, era utilizada para os serviços na roça. Para o transporte de tijolos e madeira o meio principal era o carro de boi.
Seu Arlindo morreu em novembro daquele ano, na mesma propriedade rural, vítima de um ataque de abelhas, ao sair de trator numa manhã chuvosa.

