Aperitivo conquistou bares em Nova York, Londres, Portugal e Tóquio, muitas vezes visto como uma espécie de ‘negroni brasileiro’
Ele nasceu nos “sujinhos” da vida, espalhados por esse Brasilzão afora. Portanto, não poderia deixar de ser simples e profundamente brasileiro. Ao lado da caipirinha, o rabo de galo eleva a cachaça a um patamar quase sagrado da coquetelaria de Pindorama. E também internacional.
Sim, o rabo de galo conquistou bares em Nova York, Londres, Portugal e Tóquio, muitas vezes visto como uma espécie de “negroni brasileiro”, figurando em cartas que celebram coquetéis autorais.
De origem popular, forjado no boteco, o rabo de galo não exige alquimia. Prepará-lo é tão simples quanto sua própria história: duas partes de cachaça, uma de vermute tinto e gelo. Nada além disso.
Foi sendo lapidado com o tempo: ganhou duas gotas de bitter (angostura) e uma casca de laranja, detalhes dispensáveis para seus primeiros apreciadores, os operários do bairro do Brás, em São Paulo, onde nasceu, nos anos 1950. Foram imigrantes italianos que acrescentaram o Cinzano à cachaça, na talagada da saída da fábrica, criando uma mistura forte, aromática e barata.
O nome vem de uma adaptação fonética de cocktail, abrasileirada na boca do povo. Durante décadas, o rabo de galo ficou associado a bares populares e sem glamour, até ser redescoberto, a partir dos anos 2000, e voltar à cena reinterpretado por bartenders, com vermutes artesanais e cachaças premium.
Um dos principais responsáveis por essa virada foi Mestre Derivan (Ferreira de Souza), membro da Cúpula da Cachaça e um dos grandes nomes da coquetelaria brasileira, que ajudou a levar o rabo de galo ao cenário internacional, incluindo-o na lista da Associação Internacional de Bartenders.
O curioso é que, mesmo presente nos balcões mais refinados, o rabo de galo nunca deixou de ser o que sempre foi. Continua símbolo de identidade nacional, mantendo o vínculo com suas origens.
Despretensioso na forma, gigante na história.

