Moinhos de Vento – Com pouco mais de 10 anos de emancipação, município criava sua composição
Catiguá viveu um momento de valiosa produção cultural nos primeiros anos de sua história política e administrativa. Os tempos áureos do pós-emancipação culminaram com uma onda de criação e expressão cultural. Por volta de 1975, segundo relatos de moradores, logo após o término do mandato do primeiro prefeito do município, João Martini Calbo, a cidade fervilhava na expectativa de produzir o que se via nas cidades vizinhas. E a criação de uma fanfarra, ou banda, era uma delas.
Composta por jovens moradores, estudantes das duas escolas urbanas da cidade, Antônio Carlos e Serafim Sanches – ambas geridas pelo governo do estado – o sonho de se conceber a Fanfarra Municipal de Catiguá se transformou em realidade por volta de 1978.
É bom situar o leitor: as duas escolas estaduais faziam parte de um complexo de educação composto também pelas “escolas isoladas”, como eram chamadas as instaladas no perímetro rural – no início dos anos 1980 o município possuía praticamente metade de sua população na lavoura agrícola da laranja e do café, e morando nas colônias rurais.
Uma gama seleta de instrumentos chegavam às duas escolas – elas eram parte da rede de ensino onde era possível aprender a tocar instrumentos, principalmente os de percussão, desde os primeiros anos de ensino.
Para se ter ideia, no final do ano conhecido por pré-primário, alunos já compunham uma pequena bandinha que se apresentava aos pais no pátio da escola. Sendo assim, a composição da fanfarra foi montada com os alunos chegando aos anos finais do colegial.
A apresentação do Dia do Município, na manhã de 3 de maio de 1981, foi apoteótica, com praticamente toda a população ocupando as calçadas para “ver a banda passar”. Ela puxava um desfile cívico composto também por carros alegóricos, que contavam em recortes a história do município e de sua rica comunidade.
Um dos maiores entusiastas era o então presidente da Câmara, conhecido por Balaio de Gato. Retirante nordestino, abandonou o sertão do Brasil para fugir da seca, da fome e da miséria extrema. Para ele, a fanfarra de Catiguá era um grande orgulho e a demonstração indelével da grandiosidade de seu povo. A foto que ilustra a reportagem foi patrocinada por ele junto a fotógrafo Baixinho (Foto Rei) e guardada até o final de sua vida.

