Pai Dela chama a atenção pela qualidade e pelo nome. Digulgação

O “batismo” das cachaças artesanais nem sempre nasce de planejamento de marketing

No mundo da cachaça, o nome não é detalhe. Muitas vezes é mais importante que o próprio líquido. Chama a atenção antes do primeiro gole, provoca comentários e estimula a curiosidade.
O “batismo” das cachaças artesanais nem sempre nasce de planejamento de marketing. Ao contrário, na maioria das vezes surge da conversa de boteco, daquelas frases que aparecem sem pedir licença e se consolidam; a linguagem popular transformada em marca.
É o caso da Pai Dela, uma homenagem a Francisco Pereira da Costa Filho, o Chico Barba, de Pará de Minas (MG), uma produção super artesanal, feita para consumo próprio e dos amigos e que acabou se tornando uma referência para quem gosta de apreciar uma boa bebida.
O pai é o Chico Barba. Mas quem é “ela”? Maria era a responsável pela degustação e avaliação da qualidade da cachaça no alambique, mas a cachaça era do pai dela. E assim se consagrou.
Hoje produzida em Itaverava, também Minas Gerais, a Pai Dela tem opções envelhecidas em toneis de madeiras variadas, com destaque para a amburana e o jequitibá. Mas o carro-chefe do alambique é a Três Madeiras (vendida a R$ 288 na Cachaçaria Nacional), um blend de carvalho americano, bálsamo e amburana, que resulta em um sabor equilibrado, com leve toque adocicado.
A Pai Dela expõe a criatividade popular do brasileiro, que, com seu espírito inventivo, acumulou apelidos, gírias, gozações e duplos sentidos.
Uma prova de que a cachaça não precisa parecer sofisticada para ser relevante. Precisa ter história.

By JOEL LEITE

Jornalista e cachaceiro, é presidente da Confraria Provadores de Cachaça

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