Desde que pegou no martelo pela primeira vez, aos doze anos, Potinho se acostumou com latarias rústicas e pesadas. Quando trombou de cara com o primeiro Ford Corcel, foi amor à primeira vista. O coração batia forte. E a paixão desse funileiro caipira pelos carros da linha teve mais de um capítulo aqui na Folha Caipira.
Aparecido José da Silva, de 72 anos, era pouco conhecido pelas bandas de Catiguá. Já Potinho, o apelido, é tradição no ramo da funilaria e sinônimo de honestidade e amor ao próximo. O carro em que posa junto para a foto é um Ford Corcel Belina que ele tinha de estimação. Ele o fez de novo, lhe deu vida. A foto é de dezembro de 2021.
Potinho contava que, diferente dos carros atuais, montados em módulos, os antigos tinham o profissional funileiro como indispensável para continuar rodando após uma colisão. “Eram bens mais duráveis e, por isso, com o envelhecimento, também vinha a ferrugem. E lá estava eu pra resolver a demanda. Nem sei quantos consertei, mas ganharam meu gosto desde o lançamento”, conta Potinho, enquanto acende o maçarico.
Para ele, a linha Ford Corcel é um tipo de automóvel que valoriza o profissional do ramo. “É um serviço de artesanato, que hoje passo para meu filho”, contou, mas lembrando de que é um ramo que hoje tem poucos.
E, hoje, contamos com um a menos. Felizmente, o filho Ricardo segue no mesmo ramo. “Me deixou sua honestidade, sua fé e a profissão de herança”, conta o filho. Potinho, homem de grandes amigos, católico de fé inabalável, não se curvou à doença. Pegou a estrada e seguiu seu caminho.
Dia 28 de maio, em Catiguá. Deixa a mulher Leonice, os filhos Ricardo e Elaine e o neto Isac.
Potinho, junto de seu Ford Corcel Belina. Foto: Altino Setentaluas/FC 