Setembro traz consigo a primavera, o colorido das flores e também uma lembrança que o tempo não conseguiu apagar. É o mês em que comemoramos o Dia da Árvore, no dia 21. Foi justamente nesse dia, há muitas décadas, quando ainda iniciava meus estudos no chamado curso primário —assim se chamava o começo da alfabetização das crianças—, que nasceu uma história que continua viva até hoje.
Minha professora reuniu toda a classe no pequeno pátio da escola. Depois de falar sobre a importância das árvores para a vida, entregou-nos uma pequena e frágil muda de ipê-amarelo. Juntos, nós a plantamos.
Naquele momento, talvez nenhum de nós imaginasse que aquela mudinha sobreviveria por tantos anos. Enfrentou vendavais, períodos de falta de água, ataques de insetos e, principalmente, a ação implacável do tempo. Mas resistiu.
Hoje, no mesmo lugar, existe um frondoso ipê-amarelo. Nos dias de calor, suas grandes ramagens oferecem sombra para a criançada durante o recreio. E todos os anos, quando setembro se aproxima, acontece uma espécie de milagre: de repente, o velho ipê amanhece coberto de flores amarelas.
É como se um pedaço do céu tivesse descido à terra.
A paisagem muda. As flores encantam quem passa, enquanto beija-flores fazem verdadeira festa entre os galhos e um exército de abelhas operárias trabalha incansavelmente, recolhendo o precioso néctar. É vida em movimento. É natureza ensinando, sem palavras, que tudo tem seu tempo.
Diante de tanta beleza, fico pensando: por que apenas um ipê?
Por que não centenas, milhares de mudinhas como aquela que plantamos quando crianças?
O ipê é uma árvore dócil, resistente e relativamente fácil de cuidar. E não existe apenas o amarelo: há ipês de flores brancas, rosas, roxas e outras tonalidades que transformam nossas cidades, estradas e propriedades em verdadeiros jardins.
Talvez o Dia da Árvore seja uma boa oportunidade para fazer mais do que discursos.
Que cada criança plante uma árvore. Que cada família adote uma muda. Que escolas, empresas, propriedades rurais e prefeituras transformem o 21 de setembro em um dia de plantar, cuidar e assumir compromisso com o futuro.
Aquela pequena muda que minha professora colocou em nossas mãos sobreviveu a décadas e hoje oferece sombra, beleza e alimento para a vida.
Ela me ensinou uma lição que nunca esqueci: plantar uma árvore é acreditar no amanhã.
No Dia da Árvore, que tal plantar nosso ipê?
E, desta vez, não apenas um.
